• Mariana Deperon

Ambiente seguro também é inclusão!

A população LGBTI+ no Brasil é estimada em cerca de 20-25 milhões de pessoas.


Estima-se, pois, num País onde se registra 1 morte por homofobia a cada 26h (https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/04/23/brasil-registra-329-mortes-de-lgbt-em-2019-diz-pesquisa.htm), muitos não se sentem confortáveis para declarar sua orientação sexual. Eles tem medo. Medo de morrer.

Não pertenço à comunidade, mas sou aliada desde que me entendo por gente.


Quando ainda adolescente, um primo me confidenciou que não gostava de meninas. À época, sem muito entender, lembro de ter dito: “Olha, lá na minha casa meu pai fala que a gente gosta de quem quiser, porque temos que ser felizes”. Ele me abraçou e chorou. Não sabia, mas, naquele momento, virei aliada. Somos melhores amigos até hoje.


Como aliada e pesquisadora sobre temas relacionados à D&I– fui aprendendo mais. Hoje trago alguns dados sobre a comunidade LGBTI+ e o ambiente de trabalho:


- as pessoas da comunidade LGBTI+ sofrem muita hostilidade nos ambientes de trabalho;


- em pesquisa recente divulgada pela @Catalyst, 20% dos americanos LGBTI sofreram discriminação com base em orientação sexual ou gênero ao se candidatar a postos de trabalho (quando a pessoa LGBTI+ é negra, as porcentagens aumentam) (link da pesquisa:https://www.catalyst.org/research/lesbian-gay-bisexual-and-transgender-workplace-issues/);


- as discriminações ocorrem também com relação à diferença salarial e a questões de promoção;


- as discriminações com relação à população trans são diferentes; as questões começam com relação à aparência e ao uso de banheiros, por exemplo.


De tudo que eu leio e compilo sobre o tema, para fins de estudo e trabalho, uma das coisas que mais me choca nos ambientes organizacionais e não deveria nem poderia ser mais admissível é a piada, a ofensa, o abuso contido naquela “brincadeirinha” sobre identidade de gênero ou orientação sexual.


Mesmo com a criminalização da LGBTfobia (crime equiparado ao racismo) no Brasil em 2019 pelo STF, as piadas sarcásticas sobre pessoas LGBTI+ continuam rolando no café, no HH...já presenciei tantas situações em que essas piadas aconteciam e acontecem, que até perdi a conta.


Que ambientes são esses que permitem que pessoas sejam agredidas emocionalmente? Como é que as pessoas que passam por essas situações de humilhação e vergonha conseguem ser produtivas e performar? Por que as lideranças se omitem ao se deparar com cenas de piadas LGBTfóbicas?


Infelizmente - para não virar algo dessas situações - muitas pessoas LGBTI+ geralmente "escondem" aspectos a respeito de suas vidas (por exemplo, ocultando relacionamentos pessoais ou mudando a maneira como se vestem ou falam) para evitar discriminação. E isso é exaustivo. Não deveria acontecer.

Gostaria de dizer que o mundo mudou. E não foi com a pandemia. Inclusão é necessária. Ambiente seguro é dever que o empregador precisa garantir. Existem comportamentos que não podem mais ser tolerados. Os líderes precisam agir. Políticas precisam ser criadas e implementadas. E, mais que isso, elas precisam ser efetivas. Walk the talk, sabe?!


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